O pai dela chorou quando conheceu Robert Smith. Imagina a cena.
You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love é o terceiro álbum de Olivia Rodrigo, que saiu hoje pela Geffen. 13 faixas produzidas inteiramente por Dan Nigro, divididas em dois lados: os seis primeiros são a ansiedade de quem está apaixonada; os sete seguintes são os hematomas de quem viu a coisa acabar. O conceito parece arriscado no papel, mas na prática o disco conta uma história que você não para de ouvir até o fim.
O feat de “what’s wrong with me” com Robert Smith do The Cure foi a surpresa mais bem guardada do ano. Olivia estreou a faixa ao vivo no Primavera Sound antes do lançamento. A música tem sintetizadores velhos e uma caixa de ritmo minimalista; os dois trocam versos sobre o que um relacionamento faz com a sua cabeça e se juntam no refrão final. Smith disse que ficou “em admiração” da facilidade com que ela cria. O pai de Olivia, fã incondicional do The Cure, ficou emocionado quando conheceu ele, tá bom?
O resto do álbum vai do pop exuberante, com faixas como “Stupid Song” e “U + Me = <3” que têm cara de próximos singles, até cortes mais sombrios que puxam pra um new wave que o GUTS só tinha roçado. Rolling Stone chamou de “o trabalho mais alegre” dela. Pitchfork disse que é o mais sofisticado. Eu concordo com os dois ao mesmo tempo, o que provavelmente quer dizer que deu certo.
De SOUR pra GUTS já era um salto. De GUTS pra cá foi outro. Se você duvidou que ela ia crescer mais, hoje é um bom dia pra rever isso.