Botar o próprio nome na capa é sempre uma declaração. O disco novo do Adam Lambert se chama ADAM. Só isso, o nome dele, e o recado vem junto: esse sou eu, no meu termo, gostem ou não. É o mesmo tipo de gesto que Michael Jackson fez em 1995 com HIStory: Past, Present and Future, Book I, o álbum duplo que empilhava os maiores sucessos de um lado e inéditas do outro, tudo anunciado por uma estátua gigante descendo o rio. Um jeito de parar de responder ao mundo e cravar, de uma vez, quem se é e o que já se construiu.
ADAM saiu hoje (10/07) pelo selo próprio dele, o More Is More, distribuído pela The Orchard. É o primeiro trabalho de inéditas desde Velvet (2020) e o primeiro que ele faz por conta inteira, longe da máquina de gravadora grande e da sombra do Queen. Largou Los Angeles depois de mais de vinte anos, foi morar em Nova York, passou pela Broadway em Cabaret e voltou com a virada de som mais radical da carreira: nada de glam-pop teatral nem de cantar música dos outros, e sim um rock alternativo dos anos 90, sujo, meio industrial, meio sombrio. Assim como o HIStory era Michael se reafirmando debaixo de pressão, ADAM é a resposta pra pergunta que ninguém tinha coragem de fazer em voz alta: quem é ele quando não é o substituto do Freddie Mercury nem o intérprete do repertório alheio?
Rat City (feat. Isaac Dunbar) — A abertura já mostra a companhia que ele escolheu: Isaac Dunbar, um dos nomes mais afiados do alt-pop novo, do lado de alguém que podia ser veterano na indústria. É a faixa que pinta a Nova York que deu o clima do disco, o rato correndo na cidade grande. Começo com atitude, sem pedir licença.
Necklace — Um dos cortes mais escuros do primeiro terço, bem no fio industrial que puxa o lado sombrio do projeto. Aqui o brilho vocal dele aparece sem o exagero de vitrine de sempre.
Eat U Alive — O single que abriu tudo lá em maio, e continua sendo o coração do álbum. Adam Lambert soa carnívoro, quase faminto, num pop meio vampiresco que bebe direto dos anos 90. É a canção que sela a virada: se você duvidava que ele ia largar o glam pra valer, essa mata a dúvida no primeiro refrão.
Porcelain (feat. Lexie Liu) — A colab internacional, com a chinesa Lexie Liu dividindo o microfone. Título frágil, produção que rebate o contrário: é onde o disco flerta com um pop mais global sem perder a aresta.
Sanity — O tipo de faixa que o título já denuncia. Ele passeia pela beira da própria cabeça e a produção segura a tensão em vez de resolver. Menos hit, mais clima.
Cloud 9 — O terceiro aperitivo, o que saiu junto do lançamento. É o respiro eufórico, o lado sonhador do trabalho depois de tanto peso. Gruda rápido e mostra que a virada de som não custou a melodia.
Am I Ok — A pergunta no meio do disco. Momento de vulnerabilidade, daqueles que o Adam Lambert raramente deixava aparecer sem armadura vocal por cima. Aqui ele deixa.
Under the Rhythm — Segundo single, o lado mais dançante e aberto de tudo, e com a sacada mais divertida do disco: o “la la la-la-la” do refrão é uma interpolação de “Around the World (La La La La La)”, aquele euro-dance da ATC que tocou até dizer chega nos anos 2000. Ele não puxou o áudio original, refez do zero, e a nostalgia de pista faz lembrar que, no fundo, ele nunca deixou de saber botar você pra mexer o corpo.
Rage — O título entrega o jogo: é o pico de peso e fúria do repertório. É também onde a comparação com o HIStory pulsa mais forte, aquele Michael de punho fechado de “Scream” e “They Don’t Care About Us”. Adam desconta tudo aqui.
Real Luv — Depois da fúria, a queda. Uma tentativa de ternura no meio do barulho, que funciona justamente pelo contraste com o que veio antes.
Don’t Stop Driving — Imagem de estrada, motor ligado, cidade passando pela janela. É o disco pegando velocidade rumo ao fim, o som mais eufórico servindo de fuga.
Do Ya See Me Now — O fechamento e a pergunta que dá nome à missão inteira. Depois de anos sendo a voz de outra pessoa, ele encerra pedindo pra ser enxergado como ele mesmo. Não tem jeito mais direto de terminar um disco que leva o seu nome.
ADAM não é o trabalho mais fácil nem o mais imediato da carreira dele. Mas é, de longe, o mais dele. Do jeito que o HIStory foi o momento em que Michael parou de responder ao mundo e passou a se declarar, esse é o registro em que Adam Lambert para de ser o vocalista emprestado e assina o próprio nome, no próprio selo, com o próprio som. A crítica grande ainda nem se pronunciou, então a gente chega antes do consenso. E fica a pergunta: você tava esperando um disco assim dele, ou também achava que ele ia ficar pra sempre na zona de conforto?

Thiago, my honest opinion is that there is no blogger in this industry with an honest opinion. There are those who push the agenda of the “major” labels and “rate” the best vocalist in pop music with a 7.5! It seems that “quality” and “fame” are synonymous in your vocabulary. Your review itself is a description that a chat bot can generate in seconds – you don’t engage with an opinion. Just a waste of time…
Thanks for deleting my honest opinion. I appreciate it.
Once again: no one can out-sing Adam Lambert today! Give him the flowers he deserves!
Hi Didi — first, nothing was deleted. Your comment was just sitting in moderation and it’s been live since. We don’t bury criticism here.
On the score: you got there before we announced it. We’ve just pulled the rating system from the entire site — no more numbers on any review — because a number doesn’t define an album, and slapping a 7.5 on a record is the laziest possible way to end a conversation instead of starting one. So on the thing you’re actually angry about, we agree.
And no argument on the voice — Adam Lambert can out-sing almost anyone working in pop right now. The flowers are his. What a review is for is the harder question: what he does with that voice on this particular record. If you think we misjudged that, tell me where — I’d genuinely rather argue about the songs than about a number that no longer exists.