Meia hora. Foi todo o aviso que Madonna deu antes de fechar a Times Square e juntar cerca de 50 mil pessoas numa pista de dança no meio da rua. Aos 67 anos ela fez a esquina mais movimentada do mundo parar pra dançar e parece que nunca saiu de lá.
A faixa é a terceira que ela solta esse ano, depois de “I Feel So Free” e de “Bring Your Love” com a nova princesinha do pop Sabrina Carpenter. É a oitava faixa de Confessions II, que sai dia 3 de julho, e gruda já na primeira escuta.
O nome não é por acaso. “Love Sensation” é o mesmo título do clássico disco da Loleatta Holloway, de 1980. Aquela voz enorme, de igreja, fez dela a artista mais sampleada do disco: é a Loleatta gritando em “Ride on Time” do Black Box e em “Good Vibrations” do Marky Mark, dois hinos que você reconhece nos primeiros segundos. Madonna não usa a faixa original, mas pega o nome de propósito, feito quem aponta pra raiz da batida e mostra que conhece o caminho todo. Curiosidade que a galera do Reddit já cravou: na melodia ela puxa bem mais pro house dos anos 2000, lembra “Lady (Hear Me Tonight)” do Modjo, do que pro disco de 1980 que empresta o nome. É história da música pop sendo costurada com intenção.
E a batida entrega. É house pulsante, daquele com build subindo e a tensão acumulando até estourar. Não é a Madonna correndo atrás de tendência, é ela no terreno que ajudou a levantar, de chinelo, em casa. A letra fala de buscar o barato do amor na madrugada, e cola porque ela canta como quem já viveu isso mil vezes e ainda quer de novo. Se você não curte house de pista talvez não te ganhe de primeira, mas ouça no momento certo, luz piscando, suor, e a coisa abre.
No fim, “Love Sensation” não é a Madonna lembrando quem ela foi. É ela lembrando o que ainda é. Se Confessions II inteiro mantiver esse nível, julho vai valer a espera.