Um vídeo de uma menina cantando dentro de um poço na Itália. Foi assim, em 2017, que o mundo botou o olho em Tiffany Day, muito antes de ela virar uma das apostas mais comentadas do hyperpop em 2026.
A real é que a história dela tem mais camadas do que parece. Nascida em Toronto, filha de pais chineses e criada em Wichita, no Kansas, Tiffany Day cresceu no esquema clássico: piano e violino desde criança, guitarra aprendida no caminho. Aquele vídeo viral abriu a porta, e ela foi soltando música por conta própria até chegar no debut Lover Tofu Fruit, em 2024. Aí assinou com a Broke Records e o jogo mudou.
O estouro veio com HALO, lançado em abril, o segundo trabalho dela. São treze faixas de hyperpop pra lá de pessoal, onde ela cata as próprias inseguranças, a autocrítica e o perrengue de lidar com a fama e joga tudo numa produção cheia de glitch e açúcar. Tem BREAKUP, tem TELL ME WHAT I DID, tem START OVER, números que grudam na primeira escuta e cujos clipes ela mesma ajudou a dirigir.
Vou ser sincero: a crítica ficou dividida com o registro. Tem gente que abraçou o caos emocional do projeto e tem gente que achou que ela ainda não se destacou no meio do pop eletrônico de hoje. Pra mim, o que mais brilha é a produção, é ali que mora o ouvido apurado dela. HALO puxa pro caos do electroclash mas com aquela vulnerabilidade de bedroom-pop, tipo crescer com pressa e overdose de sentimento ao mesmo tempo. Nem tudo acerta, mas quando acerta, gruda.
E não é só estúdio: em 2026 ela rodou festival grande, de Electric Forest a Head in the Clouds, o do time do 88rising. Ou seja, é nome pra ficar de olho. Será que HALO é só o aquecimento ou ela já chegou pra ficar? Vale ouvir e tirar sua própria conclusão.
