A casa pegou fogo, ele rodou o mundo, virou alvo de meme e ainda sumiu da internet. Tudo isso antes de soprar as 22 velinhas. Se o nome 2hollis ainda não passou pelo seu feed, senta que a história é boa e o som é mais estranho ainda.
Hollis Parker Frazier-Herndon nasceu em Chicago, se criou em Los Angeles e começou a produzir no quarto sob o apelido drippysoup, lá por 2018. O som é difícil de rotular: sintetizador estridente, 808 estourando, batida feita pra mosh pit. No podcast Switched on Pop, os caras gastaram um episódio inteiro chamando ele de “vampiro genre-hopping do underground”, alguém que mistura hardstyle com hip-hop e ainda solta uma aura meio sombria por cima. O New York Times foi por outro caminho e definiu “Afraid”, parceria com Nate Sib, como uma “bomba hiperelectropop incansavelmente preppy”. As duas descrições estão certas, e é aí que mora a graça.
Tem o detalhe que a internet adora cutucar: os pais são do meio. O pai é John Herndon, baterista do Tortoise; a mãe, Kathryn Frazier, fundou a Biz 3 e ajudou a montar a Owsla, selo do Skrillex. Daí a etiqueta de nepo baby colada na testa. Mas a real é que sangue não toca synth por ninguém. Quem fez White Tiger virar disco de culto, emplacou “Poster Boy” na trilha do EA Sports FC, o atual FIFA e botou ginásio pra pular foi ele, abrindo show pra Ken Carson e depois pra Lorde na turnê mundial dela.
Em abril de 2025 veio Star, o primeiro trabalho por uma major, a Interscope. Ele chamou de diário do momento em que caiu na fama, um pop minimal cheio de aceno pro EDM que ouvia criança. E foi logo depois que o moleque deu meia-volta na máquina: largou Instagram, TikTok e Twitter, ficou meses offline e comparou a internet a cigarro, aquela coisa que vicia e cobra a conta lá na frente. Vindo de alguém de 22 anos que cresceu sendo dissecado por fãs, soa quase profético.
O que vem agora ele promete que é “arte de verdade”, palavras dele. Menos distorção, mais letra, mais história dentro da música. Em janeiro de 2026 sentou num podcast do New York Times pra falar de som ao lado do próprio pai, sinal de que fez as pazes com a tal herança. “2026, 22 anos, Ano do Cavalo, vamo nessa”, ele soltou. Fica a pergunta no ar: será que o vampirinho canta uma história tão bem quanto incendeia uma roda de mosh?
