Sam Smith fez carreira inteira de coração partido. “Stay With Me”, “Too Good at Goodbyes”, “I’m Not the Only One”, hino de choro atrás de hino de choro, sempre aquela voz enorme cantando perda. “My Guy” é a primeira vez em muito tempo que Sam Smith soa feliz pra valer. E cai muito bem.
A faixa saiu dia 24 de junho como primeiro single de Hazel Eyes, o quinto álbum, que chega em 21 de agosto pela Capitol. São doze músicas, e essa abre o jogo logo no clima certo: amor correspondido, sem drama, sem o nó na garganta de sempre. “É uma música que sinto que esperei a vida inteira pra escrever e cantar”, disse Sam Smith. Dá pra acreditar.
O arranjo é mínimo de propósito, quase nada de produção, só pra voz ter espaço de sobra. E aí entra a sacada: Feist e Moses Sumney entram nos backings com aquele clima de grupo vocal antigo, harmonia em camadas que dá um ar brincalhão e meio possessivo pra coisa toda. É soul de verdade, daquele que confia no sentimento e não precisa de batidão pra te ganhar. Gruda devagar, na segunda escuta você já tá cantando o refrão.
Hazel Eyes tem cara de virada. Sam Smith gravou boa parte no Electric Lady, em Nova York, cidade que virou casa, e chamou gente como Feist, o multi-instrumentista Shahzad Ismaily e o arranjador de cordas Rob Moose pra somar. A produção dividiu com Simon Aldred e David Odlum. No papel é um disco sobre amor correspondido, liberdade e se olhar no espelho sem medo, o oposto do Sam Smith que a gente conhecia de cabeça baixa.
No fim, “My Guy” não é Sam Smith mudando de assunto, é Sam Smith finalmente do outro lado da história, cantando o amor que deu certo com a mesma voz que sempre cantou o que não deu. Se Hazel Eyes inteiro segurar esse clima, agosto vai valer a espera.
