Cinco anos foi quanto tempo o The Pretty Reckless ficou sem álbum novo, e quando Taylor Momsen resolveu voltar, ela não veio com vontade de agradar. Dear God, o quinto disco da banda, é a coisa mais escura que eles já gravaram, e é justamente isso que faz funcionar.
Quem acompanha já sabia que a volta vinha forte. “For I Am Death”, o primeiro single, virou o oitavo número 1 da banda na parada de rock da Billboard, recorde pra um grupo com uma mulher na frente. Mas single é single. O medo era o álbum inteiro segurar o nível por quase uma hora, e ele segura. São catorze faixas costuradas pelos interlúdios “Life Evermore”, e o assunto é sempre o mesmo: sobreviver. Morte, vício, fé, aquela linha fina entre se afundar e se salvar.
Tem hino pra cantar de punho erguido (“When I Wake Up” é o mais raivoso do lote) e tem o tipo de faixa que cresce devagar até explodir. A própria “Dear God” é assim: Momsen mesmo definiu como “desespero em forma de música”, e o solo de guitarra no fim entrega a conta. “Love Me” é a que mais gruda, daquelas que você já tá cantando o refrão na segunda escuta.
Mas o coração do disco é “Devil in Disguise (Michelle’s Song)”. É uma homenagem a Michelle Trachtenberg, amiga e colega de Momsen em Gossip Girl, que morreu em 2025. Taylor escreveu e gravou a música no mesmo dia, no susto da perda, e dá pra sentir cada segundo. É só a voz, um arranjo mínimo e a dor crua. Difícil ouvir sem travar um pouco.
No fim das contas, Dear God é a banda confortável sendo desconfortável. Não é um trabalho pra ouvir no raso, ele pede atenção e cobra emoção. Tem hora que se arrasta, mas quando acerta, acerta bonito, e acerta na maioria das músicas. The Pretty Reckless já anunciou turnê mundial para o álbum, começando pela América do Norte. Vale ouvir do começo ao fim, de preferência bem alto.
