Treze faixas, menos de trinta minutos e nenhum pedido de desculpa. Foi assim que Chlöe decidiu voltar: Resurrection, mixtape gravada ao lado de Timbaland, saiu hoje pela Parkwood em parceria com a Columbia, e o título já avisa a intenção do projeto antes da primeira batida.
Depois de In Pieces (2023) e Trouble In Paradise (2024), a ex-Chloe x Halle parece finalmente achar o tom que faltava. Muita gente já tá chamando o projeto de reset sonoro da carreira solo dela, e dá pra sentir esse peso ouvindo o disco inteiro: soa como alguém que sabe exatamente o que quer dizer, faixa após faixa.
E não é Timbaland decorativo. Esse é o cara que ajudou a construir o som de Missy Elliott, Aaliyah, Justin Timberlake e Nelly Furtado nos anos 2000, e que andou explorando, mais recentemente, um projeto de entretenimento ligado a inteligência artificial, ideia que dividiu opinião entre quem acompanha R&B. Resurrection é ele voltando pro que sabe fazer de olhos fechados: batida que respira, vocal de fundo no talkbox, aquele clima de estúdio analógico que ninguém mais imita igual. O ponto mais saudosista do disco é Hold It, ainda lá pelo começo, onde a produção flerta com aquele clima ambiente e suspenso que lembra direto Afrodisiac, disco solo dele de 2004. Vinte e dois anos depois, ele ainda sabe construir aquela atmosfera que ninguém replica igual!
O disco abre com Talking Dirty mandando ver: Chlöe já entra no controle da cena, com Timbaland soltando vocalzinhos de fundo tipo torcida organizada, e o clipe oficial, assinado por Andrew Makadsi e Derek Milton, só reforça esse clima. De resto, é um repertório que sabe variar o tom sem perder a régua: tem o acerto de contas sem piedade de Caught, tem a confiança não pedida de Better Than She Can, e tem até um respiro de ternura em On Your Own, faixa em que ela se pega pensando que talvez o ex não seja tão diferente dela assim.
Mas é em Jittery, a última faixa, que o disco acerta o ponto mais alto. É a única vez que ela olha pro próprio erro de frente, assume a parte que é dela e segura aquele resto de arrependimento que ainda não virou desculpa de verdade. Fechamento à altura pra um projeto que começa em ataque total e termina em autocrítica de verdade.
No fim, Resurrection acerta muito mais do que erra. Tem faixa de devoção que soa mais genérica que o resto (World On Fire e Main Attraction sentem esse peso), mas o conjunto entrega o que promete: Chlöe com a voz toda solta, Timbaland trazendo de volta aquele clima de estúdio que só ele sabe fazer. É o primeiro projeto solo dela competindo só contra ela mesma. Vale ouvir do início ao fim, sem pular faixa.
