Almost There, The Academy Is…
O The Academy Is… sumiu por 18 anos. Dezoito! (Até a gente voltou antes.) Desde Fast Times at Barrington High (2008), William Beckett, Mike Carden, Adam Siska e Andy Mrotek foram viver suas vidas, e a gente foi crescendo junto sem eles. Aí chega 2026 e vem a notícia: álbum novo, Almost There, referência direta ao debut da banda, Almost Here (2005). Título esperto, proposta arriscada. Será que sobreviveu ao hype?
A resposta curta é sim. A longa está aqui embaixo.
1. Up in the Air Começo suave, quase contemplativo. A guitarra do Mike vai chegando aos poucos antes de puxar tudo pro território Y2K que a gente ama. A voz do Beckett, que feito vinho bom ficou ainda melhor com o tempo, ancora a faixa e deixa claro: isso não é disco de banda que voltou só pra pagar boleto. É coisa séria.
2. Miracle O lado mais rockeiro do disco aparece cedo. Tem uma energia que lembra os anos dourados do Fueled by Ramen sem soar como museu. O refrão gruda, a guitarra está afiada, e a letra que fala sobre morte não pesa, soa honesta. “I’m not dead”, canta o Beckett. Que alívio, cara.
3. 2005 O primeiro single e, de longe, a faixa mais nostálgica do disco. O título já entrega tudo: é uma carta pro passado, pra era de Almost Here, pra galera que cresceu no pit de emo show. O baixo do Siska no middle eight é um presente. Hit confirmado.
4. Freak Out Aqui o disco dá uma guinada interessante. O título promete caos, mas a faixa entrega algo bem mais sutil. Groovy, quase com uma pegada soul, tipo um Mike Posner de guitarra rasgada. Das músicas mais inesperadas do álbum, e das melhores.
5. Snow Days Equilibra bem a tensão entre o pop e o rock. Não é a faixa mais marcante, mas cumpre muito bem seu papel no meio do tracklist. Dá uma respirada antes da reta final.
6. 100mph Velocidade, como o título promete. É a música mais energética do disco, e imagina ela ao vivo: o pit vai detonar. Mrotek na bateria está contido sem ser restrito, e dá pra sentir cada escolha sendo intencional.
7. Floating Through Time (Interlude) 1 minuto e 21 segundos de puro clima. Vozes corais, instrumental etéreo. É o tipo de interlúdio que em disco ruim você pula, mas aqui você deixa rolar e de repente está existencializando sobre o tempo que passou desde 2005. Obrigado, The Academy Is…
8. L Train O terceiro single e um dos pontos altos absolutos. Tem aquela vibe de cidade grande, de metrô de Chicago (onde a banda nasceu, faz sentido), de vida adulta que veio sem avisar. Pop-rock maduro, refrão grudento. Aposta certa como single.
9. Lost Signals A mais introspectiva do lado B. É uma faixa que cresce, que não entrega tudo de uma vez. Parece perdida no começo, e aí você percebe que essa é exatamente a ideia.
10. Lulu Boy Surpresinha! Tem um charme diferente das outras, mais leve, mais direta. Não é a faixa mais densa do disco, mas tem uma melodia deliciosa que não sai da cabeça.
11. Ten Years Fechamento perfeito. É daquelas músicas que parecem um resumo de tudo que foi dito antes, o tipo que você deixa tocando quando o álbum acaba e você ainda não quer voltar pra realidade. “If I never make it home, thank you for everything” é uma das linhas do ano. Manda ver, Beckett.
Veredito Almost There não é nostalgia disfarçada de álbum novo. É um disco feito por adultos que sabem quem são e decidiram usar isso a seu favor. A produção do Snow Ellet é inteligente: os sintetizadores somam em vez de competir com os instrumentos, e tem até uma pitada de Turnstile que não desentoa. Cada membro está em forma máxima, e William Beckett prova que tem uma das melhores vozes do rock alternativo americano.
Pra quem curtia a banda nos anos 2000, é um reencontro emocionante. Pra quem não conhecia, é uma boa porta de entrada. Nos dois casos: ouça.
Nota: 8.5/10 ⭐⭐⭐⭐ Faixas favoritas: “2005”, “Freak Out”, “L Train”, “Ten Years”