Eu não irei ouvir “Perfect Illusion” da Lady Gaga quando ela for lançada

Este post foi inspirado no texto de Peter Robinson, jornalista musical e autor do blog PopJustice.com

Sexta, 27 de Maio de 2005. Alguns dias depois de chegar em Toronto para uma temporada estudando inglês, o então adolescente aqui fissurado em música pop resolve conhecer uma daquelas mega lojas de entretenimento que pegavam uma esquina inteira e hoje nem existem mais.

Entro deslumbrado por conta da grandiosidade da loja e ansioso para passar o dia inteiro lá, esquecendo de tudo e todos. Aquela era a minha Disney. Este era o meu passatempo predileto na época: ficar horas e horas mexendo nos CD’s, ouvindo as novidades, procurando promoções…

Logo ao entrar no ambiente os potentes alto falantes da megastore começam a tocar uma enérgica batida que me arrepia, que me fez lembrar o porque de eu gostar tanto da música pop: aquela sensação maravilhosa de liberdade, de querer sair dançando, cantando, pulando. Gosto tanto do que está tocando que dou um jeito de perguntar ao atendente qual banda é, mesmo sem falar um pingo de inglês. “É o novo álbum do Black Eyed Peas” (também dei um jeito de entender ele dizer isso).

A música em questão era “Dum Diddly”, do álbum Monkey Business e os colegas de curso perguntavam: “Você gosta disso?” rindo, o atendente dizia que eles “tinham coisas melhores lá” também rindo e com todo o preconceito do mundo que existe até hoje por trás desta banda. Eu não ligava, estava apenas curtindo o momento que foi demais e inesquecível.

Porque é tão difícil deixar a música te tocar sem que você toque nela antes?

Há dez anos começava a ficar difícil você conhecer uma música nova do jeito acima descrito ou ver logo de cara o seu clipe na MTV. Imagina então ir num bar/festa com os amigos e se surpreender com o novo single do seu artista favorito? Aquilo de deixar a música te tocar antes que você toque nela simplesmente deixou de existir. Tudo vazava antes do lançamento e você baixava um disco completo no Kazaa em algumas horas, sem precisar sair de casa. Isto perpetua até hoje, na verdade está ainda mais fácil ir lá e dar o play em qualquer canção pelo Spotify.

A primeira vez que eu ouvi “I’m a Slave 4U” da Britney, por exemplo, foi num Walkman em uma excursão com a escola e a rádio resolveu tocar ela pela primeira vez no Brasil bem na hora em que entrávamos num túnel. Que momento! A rádio falhando, eu nervoso por isso, ouvindo aqueles “Get it – Get it – Ooh” com um sorrisão no rosto. Isto é excitante, é tesão pela música pop!

Trazendo de volta aquela vibe

Todos os momentos em que isto aconteceu na minha vida foram extremamente excitantes e memoráveis, é por isso que darei uma chance para isso acontecer novamente na próxima Sexta, quando o novo single da Lady Gaga “Perfect Illusion” for lançado. O single foi produzido por Bloodpop, Mark Ronson & Kevin Parker do Tame Impala e tem tudo para ser uma ótima canção pop que pode me trazer de volta esta vibe. Eu não irei ouvir a música em seu lançamento. Não darei play em qualquer plataforma digital que estiver reproduzindo a música, nem irei procurar notícias sobre ela.

Com este comprometimento, vou tentar deixar a música me tocar: enquanto estiver dançando no meio da pista da balada ou em qualquer outra situação que não seja sentado na frente do computador no trabalho ou sem fazer nada em casa, para sentir toda esta vibe maravilhosa novamente. Você consegue vir comigo neste experimento?

O que esperar da performance de Lady Gaga no Super Bowl, cantando o hino nacional dos EUA

Lady Gaga no Super Bowl

Neste Domingo (07), acontece a 50ª edição do Super Bowl, evento anual que decide o ganhador da temporada de futebol americano dos Estados Unidos. Um dos eventos mais adorados na terra do Tio Sam, o Super Bowl é muito mais que um Domingo pra se divertir com os amigos assistindo futebol na TV e tomar aquela cervejinha: é um dos maiores displays de publicidade e entretenimento do mundo, já que é assistido por mais de 100 milhões de pessoas.

O único perdedor do Super Bowl é realmente o time que somar menos pontos. Todo mundo sai ganhando: o artista que canta o hino nacional no começo do jogo, os que fazem sua performance no halftime show, as marcas que vendem seus produtos e serviços durante o intervalo e o espectador, que é entretido por tudo isso. É um negócio que envolve milhões.

Star Spangled Banner

Vamos falar um pouco sobre a parte do hino nacional: para muitos pode parecer um momento monótono, mas ele reflete um sentimento que toda uma nação está vivenciando.

Por exemplo, em 1991, em plena Guerra do Golfo, Whitney Houston mudou todo o conceito de como o hino nacional pode ser cantado ao adicionar uma orquestra militar, mudar o tom da canção e brincar com a harmonia da música. Isso resultou em uma performance muito mais atraente, popular e uma das mais memoráveis do evento, já que era este o escape que a população precisava para ser patriota após um período de tanta tristura. A performance foi um sucesso tão grande que chegou até a ser lançada como single.

A mesma estética se repetiu em 2002, após os atentados de 11 de Setembro, com Mariah Carey nos vocais e em 2009, em plena crise econômica, com Jennifer Hudson simplesmente arrebentando tudo. Podemos também constar esta padronização em outro evento importante para os EUA com Beyoncé nos arrepiando ao cantar o hino na segunda posse do presidente Obama, em 2013.

Lady Gaga no Super Bowl

Este ano a escolhida para cantar “Star Spangled Banner” foi Lady Gaga, uma popstar imprevisível, assim como o novo presidente dos Estados Unidos. Além da incerteza se o novo chefe do país será republicano ou democrata, a população também está insegura em relação aos atentados terroristas que assombram o país e precisa de alguém para lembrar que a nação deve continuar sendo forte e seguir em frente.

Para você cantar o hino nacional ao vivo no Super Bowl você precisa de uma voz profissional e potente, e Gaga nos deixou claro que cumpre os requisitos em seu tributo para o filme “A Noviça Rebelde”, no Oscar do ano passado.

Ela também está em uma fase detox de toda e qualquer extravagância e já revelou que Whitney é uma das suas maiores influências ao receber o Grammy de Melhor Álbum Pop em 2011, então a padronização deve seguir em frente.

Prepare-se para mais um exemplo de glamourização do hino nacional norte-americano e não espere por algo completamente distorcido e polêmico, como Jimmy Hendrix fez no Woodstock!

O Super Bowl 50 será exibido ao vivo no Brasil neste Domingo (07) pelo canal ESPN e várias salas de cinema também transmitirão a final – confira.

Assistimos ao show da Colbie Caillat no Brahma Valley 2015

Brahma Valley 2015

Ainda estamos tirando a lama dos nossos sapatos, mas já podemos contar um pouco mais sobre como foi o Brahma Valley 2015.

Dois dias com o melhor da música sertaneja nacional e um pouco de todos os outros estilos musicais. Esta é a proposta do festival que leva o nome da cervejaria, um novo evento brasileiro que chega para suprir a carência de grandes festivais do tradicional gênero musical rural na grande capital paulista. E apesar da lama e da chuva, o evento cumpriu muito bem o papel!

Acompanhamos o segundo dia do festival no Jockey Club de São Paulo, que trouxe a norte-americana Colbie Caillat como a headliner do palco principal.

Esta é a segunda vez de Colbie no Brasil, que esteve aqui em 2008 para divulgar o seu álbum de estreia, “Coco”. Agora, com quatro CD’s lançados, ela definitivamente tem muito mais experiência e presença na indústria, com hits como “Lucky”, com Jason Mraz, que no show foi cantada carinhosamente com o seu noivo, Justin Young.

Três músicas marcam mais forte o lado pop da cantora: “Fallin’ for You”, “Hold On” e “Blaze”. Os fãs sabiam de cor as letras do refrão pegajoso de cada uma delas.

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O público também curtiu os acordes iniciais e finais bem tropicais de “Like Tomorrow Never Comes”, uma música que segundo Colbie estará em seu novo álbum, previsto para ser lançado em 2016.

As baladinhas “Realize”, “Magic” e “Try” também emocionaram e o lado bom de ser um show que não estava tão lotado é poder ouvir claramente a voz de Colbie, que é suave e nos passa uma sensação de muita alegria ao cantar.

O show se encerra com “Brighter Than the Sun”, o segundo single do álbum “All Of You”, que foi produzida e composta em parceria com Ryan Tedder do OneRepublic – ou seja, uma irmã de sangue de “Good Life”, que com certeza deixou a noite cinzenta do público presente um pouco mais vívida e otimista.

Siga o nosso snapchat: antifrase para conferir trechos das próximas coberturas de shows.

REVIEW: Adele 25

Os números de Adele não param de crescer: logo no primeiro dia de vendas, seu novo álbum “25” vendeu mais de 900.000 cópias no iTunes. Prognosticadores da indústria musical garantem que o recorde feminino de CD mais vendido em uma semana nos Estados Unidos ela já quebrou – o anterior era de Britney Spears, que vendeu 1.319.193 cópias na primeira semana do “Oops!… I Did It Again”, lá nos anos 2000.

As vendas físicas do “25” parecem andar muito bem e agora ela segue por um recorde que todo mundo imaginava ser impossível de ser alcançado (ainda mais em tempos de pirataria): vender mais em uma semana que as 2.415.859 cópias que o “No Strings Attached” do *NSYNC vendeu há 15 anos.

Adele

Enquanto esperamos que este momento mágico e histórico para a indústria musical realmente aconteça, preparamos um review do disco “25”. Será que ele realmente vale todo este buzz?

Hello

A música que abre a terceira era de Adele traz um refrão ainda mais forte e poderoso que o de “Rolling In The Deep”, o primeiro single do álbum anterior, “21”.

Os produtores aqui tentam repetir a fórmula que deu mais do que certo lá em 2011. Os vocais neste refrão são mais uma vez brilhantes pois a britânica é uma das poucas cantoras que consegue aumentar o tom da sua voz durante um refrão sem parecer estar se esgoelando de gritar. Para Adele, é tudo muito orgânico e com a certeza que você irá se envolver na melodia da música.

Segundo Greg Kurstin (co-autor da faixa), ela demorou seis meses para ficar pronta e ouvindo o disco como um todo realmente foi a melhor escolha como primeiro single, para demonstrar o quanto a voz de Adele é perfeita. Mas também pode ser uma abertura para versões épicas ao vivo, com um bom time de músicos para melhorar o instrumental da canção e diminuir a tensão vocal de Adele durante os próximos shows.

O clipe de “Hello” já conta com mais de 460 milhões de views na VEVO, sendo que 27.7 milhões das visualizações foram feitas logo no primeiro dia do vídeo no ar, quebrando mais um recorde da plataforma.

Send My Love (To Your New Lover)

A música mais pop e upbeat do álbum foi produzida por (claro!) Max Martin e Shellback, que tentaram visivelmente deixar ela o mais natural possível para não destoar das outras faixas do disco e ficar de fora dele.

Adele

Uma prova disso é a introdução, com Adele sussurrando a frase “Apenas a guitarra, ok? Boa!”. É nua, crua, acústica e excelente, com uma letra cheia de maturidade e totalmente radiofônica. Caso seja lançada como single, pode ser uma das mais tocadas nas rádios facilmente.

I Miss You

Quando a Adele diz em entrevista para a Rolling Stone que o álbum “Ray Of Light” da Madonna foi uma das suas maiores inspirações para o “25” e que estava encantada por “Frozen”, acreditamos que a faixa que mais referencia sonoramente o sétimo álbum de estúdio da rainha do pop é esta.

É uma música basicamente sobre sexo, porém com o toque emotivo de mão cheia na composição de Adele em parceria com Paul Epworth (que já havia trabalhado com ela no “21” e com o álbum “Ceremonials” da Florence and the Machine).

When We Were Young

Composta em conjunto com o talentoso artista indie Tobias Jesso e produzida por Ariel Rechtsaid (“Hey There Delilah” – Plain White T’s) é uma canção pronta para os estádios e que nos deixará de boca aberta em todas as performances ao vivo que forem realizadas, como esta apresentada no SNL com maestria:

O piano de fundo é histórico: pertenceu a Philip Glass, um dos compositores mais influentes do século XX (ainda vivo) e que se encontrava na casa da avó de Jesso no momento da gravação.

Remedy

Uma das faixas sobre o seu filho, Angelo Konecki, que Adele revelou que seria o rumo temático que o “25” levaria. A própria disse em entrevistas sobre o novo álbum que a temática “maternidade” é chata e que ninguém gostaria de ouvir sobre isso – e concordamos, mas “Remedy” é um dos resquícios deste tema.

adele-25

É a única de Ryan Tedder (OneRepublic) no álbum (que segundo rumores seria um dos principais compositores do projeto) e uma ótima composição, mas poderia ser trocada facilmente por “Alive” da Sia, que foi escrita para Adele e se encaixaria perfeitamente nesta posição.

Water Under The Bridge

Mais uma de Kurstin fácil e gostosa de se ouvir. Mesmo sendo escrita em Los Angeles nos passa toda a vibe chuvosa, cinzenta e relaxante da Inglaterra. Até mesmo com os leves elementos tropicais em seu instrumental que nos remete a “Africa”, sucesso dos anos 80 da banda Toto.

Adele

Fala sobre o sentimento de medo no início de um relacionamento, quando as coisas tem tudo para dar errado e você acha que simplesmente deve terminar tudo na hora. Adele compara a música ao filme Diário de uma Paixão (2004) com Rachel McAdmans e Ryan Gosling.

River Lea

Antes de mais nada, o rio Lea realmente existe e ele está no nordeste de Londres, perto da cidade onde Adele cresceu.

É o coração e o centro do CD, uma música que une a estética sonora de todas as outras do disco.

Foi produzida por ninguém menos que o DJ Danger Mouse, uma das partes do Gnarls Barkley. Junto com Cee Lo Green ele é o responsável pelo sucesso “Crazy” (2006). Conseguiu reparar alguma semelhança na sonoridade?

Love In The Dark

Acompanhada de um charmoso piano e uma pequena orquestra de violinos, a balada tem uma das letras mais bonitas do CD, composta em colaboração com Samuel Dixon, baixista de Adele e parceiro musical de longa data de Sia.

Adele

É a parte mais melodramática do álbum, por conta da falta de instrumentos de corda para acompanhar os vocais quase que teatrais de Adele.

Million Years Ago

O nosso amor por esta faixa está tão grande que é difícil de explicar!

É incrível a semelhança com “My All” de Mariah Carey, porém comparar ao mesmo tempo pode ser diminuir a capacidade criativa da canção, que também pode soar como uma referência contemporânea à música tema de “O Fantasma da Ópera”.

Adele

Adele continua o seu vocal teatral que havia começado na faixa anterior, só que desta vez acompanhada de uma guitarra flamenca que deixaria Toni Braxton toda arrepiada.

É a terceira produzida por Greg Kurstin para o álbum, que se torna assim nosso produtor preferido no projeto.

All I Ask

Mais uma surpresa boa na co-autoria desta música: Bruno Mars e os Smeezingtons. Não é difícil imaginar o cantor havaiano soltando a sua voz no meio dos mesmos arranjos de piano.

A posição entre a lista de músicas não é a toa: é como se fosse o clímax de uma peça teatral, demonstrando todo o poder vocal de Adele.

É completa de agudos cheios de presença e um dos maiores tons que a cantora de “Someone Like You” já gravou em estúdio.

Sweetest Devotion

A escolhida para fechar o disco é uma alegre composição em parceria com Paul Epworth.

Como “Remedy”, a letra também é uma homenagem ao seu filho Angelo, e tem a voz do pequeno no começo da canção, nos passando a sensação que ele está se divertindo muito na vida com a mãe.

A bateria de fundo enriquece a música e esquenta ainda mais que em “I Miss You”, a sua irmã mais nova.

Adele

Concluindo, o “25” é um álbum que não pode ser rankeado como “melhor” ou “pior” que seus antecessores, “19” e “21”. São momentos completamente diferentes na carreira de Adele, cada um com sua singularidade.

O que podemos dizer aqui é: o “25” é um disco com emoções mais claras e maior maturidade em relação ao último álbum, “21”. Maturidade esta que se manifesta de todos os lados: vocal, composições, instrumentalização, entre outros.

Uma das cartas na manga foi trocar a temática do disco. Obrigado Madonna, obrigado “Ray Of Light”! Outra coisa interessante foi o uso de vários produtores diferentes e o trabalho excepcional da gravadora em escolher as músicas certas que se encaixam entre si.

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