REVIEW: Adele 25

Os números de Adele não param de crescer: logo no primeiro dia de vendas, seu novo álbum “25” vendeu mais de 900.000 cópias no iTunes. Prognosticadores da indústria musical garantem que o recorde feminino de CD mais vendido em uma semana nos Estados Unidos ela já quebrou – o anterior era de Britney Spears, que vendeu 1.319.193 cópias na primeira semana do “Oops!… I Did It Again”, lá nos anos 2000.

As vendas físicas do “25” parecem andar muito bem e agora ela segue por um recorde que todo mundo imaginava ser impossível de ser alcançado (ainda mais em tempos de pirataria): vender mais em uma semana que as 2.415.859 cópias que o “No Strings Attached” do *NSYNC vendeu há 15 anos.

Adele

Enquanto esperamos que este momento mágico e histórico para a indústria musical realmente aconteça, preparamos um review do disco “25”. Será que ele realmente vale todo este buzz?

Hello

A música que abre a terceira era de Adele traz um refrão ainda mais forte e poderoso que o de “Rolling In The Deep”, o primeiro single do álbum anterior, “21”.

Os produtores aqui tentam repetir a fórmula que deu mais do que certo lá em 2011. Os vocais neste refrão são mais uma vez brilhantes pois a britânica é uma das poucas cantoras que consegue aumentar o tom da sua voz durante um refrão sem parecer estar se esgoelando de gritar. Para Adele, é tudo muito orgânico e com a certeza que você irá se envolver na melodia da música.

Segundo Greg Kurstin (co-autor da faixa), ela demorou seis meses para ficar pronta e ouvindo o disco como um todo realmente foi a melhor escolha como primeiro single, para demonstrar o quanto a voz de Adele é perfeita. Mas também pode ser uma abertura para versões épicas ao vivo, com um bom time de músicos para melhorar o instrumental da canção e diminuir a tensão vocal de Adele durante os próximos shows.

O clipe de “Hello” já conta com mais de 460 milhões de views na VEVO, sendo que 27.7 milhões das visualizações foram feitas logo no primeiro dia do vídeo no ar, quebrando mais um recorde da plataforma.

Send My Love (To Your New Lover)

A música mais pop e upbeat do álbum foi produzida por (claro!) Max Martin e Shellback, que tentaram visivelmente deixar ela o mais natural possível para não destoar das outras faixas do disco e ficar de fora dele.

Adele

Uma prova disso é a introdução, com Adele sussurrando a frase “Apenas a guitarra, ok? Boa!”. É nua, crua, acústica e excelente, com uma letra cheia de maturidade e totalmente radiofônica. Caso seja lançada como single, pode ser uma das mais tocadas nas rádios facilmente.

I Miss You

Quando a Adele diz em entrevista para a Rolling Stone que o álbum “Ray Of Light” da Madonna foi uma das suas maiores inspirações para o “25” e que estava encantada por “Frozen”, acreditamos que a faixa que mais referencia sonoramente o sétimo álbum de estúdio da rainha do pop é esta.

É uma música basicamente sobre sexo, porém com o toque emotivo de mão cheia na composição de Adele em parceria com Paul Epworth (que já havia trabalhado com ela no “21” e com o álbum “Ceremonials” da Florence and the Machine).

When We Were Young

Composta em conjunto com o talentoso artista indie Tobias Jesso e produzida por Ariel Rechtsaid (“Hey There Delilah” – Plain White T’s) é uma canção pronta para os estádios e que nos deixará de boca aberta em todas as performances ao vivo que forem realizadas, como esta apresentada no SNL com maestria:

O piano de fundo é histórico: pertenceu a Philip Glass, um dos compositores mais influentes do século XX (ainda vivo) e que se encontrava na casa da avó de Jesso no momento da gravação.

Remedy

Uma das faixas sobre o seu filho, Angelo Konecki, que Adele revelou que seria o rumo temático que o “25” levaria. A própria disse em entrevistas sobre o novo álbum que a temática “maternidade” é chata e que ninguém gostaria de ouvir sobre isso – e concordamos, mas “Remedy” é um dos resquícios deste tema.

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É a única de Ryan Tedder (OneRepublic) no álbum (que segundo rumores seria um dos principais compositores do projeto) e uma ótima composição, mas poderia ser trocada facilmente por “Alive” da Sia, que foi escrita para Adele e se encaixaria perfeitamente nesta posição.

Water Under The Bridge

Mais uma de Kurstin fácil e gostosa de se ouvir. Mesmo sendo escrita em Los Angeles nos passa toda a vibe chuvosa, cinzenta e relaxante da Inglaterra. Até mesmo com os leves elementos tropicais em seu instrumental que nos remete a “Africa”, sucesso dos anos 80 da banda Toto.

Adele

Fala sobre o sentimento de medo no início de um relacionamento, quando as coisas tem tudo para dar errado e você acha que simplesmente deve terminar tudo na hora. Adele compara a música ao filme Diário de uma Paixão (2004) com Rachel McAdmans e Ryan Gosling.

River Lea

Antes de mais nada, o rio Lea realmente existe e ele está no nordeste de Londres, perto da cidade onde Adele cresceu.

É o coração e o centro do CD, uma música que une a estética sonora de todas as outras do disco.

Foi produzida por ninguém menos que o DJ Danger Mouse, uma das partes do Gnarls Barkley. Junto com Cee Lo Green ele é o responsável pelo sucesso “Crazy” (2006). Conseguiu reparar alguma semelhança na sonoridade?

Love In The Dark

Acompanhada de um charmoso piano e uma pequena orquestra de violinos, a balada tem uma das letras mais bonitas do CD, composta em colaboração com Samuel Dixon, baixista de Adele e parceiro musical de longa data de Sia.

Adele

É a parte mais melodramática do álbum, por conta da falta de instrumentos de corda para acompanhar os vocais quase que teatrais de Adele.

Million Years Ago

O nosso amor por esta faixa está tão grande que é difícil de explicar!

É incrível a semelhança com “My All” de Mariah Carey, porém comparar ao mesmo tempo pode ser diminuir a capacidade criativa da canção, que também pode soar como uma referência contemporânea à música tema de “O Fantasma da Ópera”.

Adele

Adele continua o seu vocal teatral que havia começado na faixa anterior, só que desta vez acompanhada de uma guitarra flamenca que deixaria Toni Braxton toda arrepiada.

É a terceira produzida por Greg Kurstin para o álbum, que se torna assim nosso produtor preferido no projeto.

All I Ask

Mais uma surpresa boa na co-autoria desta música: Bruno Mars e os Smeezingtons. Não é difícil imaginar o cantor havaiano soltando a sua voz no meio dos mesmos arranjos de piano.

A posição entre a lista de músicas não é a toa: é como se fosse o clímax de uma peça teatral, demonstrando todo o poder vocal de Adele.

É completa de agudos cheios de presença e um dos maiores tons que a cantora de “Someone Like You” já gravou em estúdio.

Sweetest Devotion

A escolhida para fechar o disco é uma alegre composição em parceria com Paul Epworth.

Como “Remedy”, a letra também é uma homenagem ao seu filho Angelo, e tem a voz do pequeno no começo da canção, nos passando a sensação que ele está se divertindo muito na vida com a mãe.

A bateria de fundo enriquece a música e esquenta ainda mais que em “I Miss You”, a sua irmã mais nova.

Adele

Concluindo, o “25” é um álbum que não pode ser rankeado como “melhor” ou “pior” que seus antecessores, “19” e “21”. São momentos completamente diferentes na carreira de Adele, cada um com sua singularidade.

O que podemos dizer aqui é: o “25” é um disco com emoções mais claras e maior maturidade em relação ao último álbum, “21”. Maturidade esta que se manifesta de todos os lados: vocal, composições, instrumentalização, entre outros.

Uma das cartas na manga foi trocar a temática do disco. Obrigado Madonna, obrigado “Ray Of Light”! Outra coisa interessante foi o uso de vários produtores diferentes e o trabalho excepcional da gravadora em escolher as músicas certas que se encaixam entre si.

Qual a sua opinião sobre o álbum? Compartilhe e deixe o seu comentário!

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